domingo, 14 de outubro de 2007

RECOMENDO A LEITURA E A REFLEXÃO

BOA NOITE SERES HUMANOS do planeta Terra, eu sou o astrólogo Oscar Quiroga, cheio de espírito, agora, por ter sido agraciado com a honraria que a Academia de Letras do Distrito Federal me confere, e que estendo agora mesmo para toda a classe astrológica do Brasil.

Sabem? Nos arredores de 1986, quando comecei a publicar textos astrológicos e chamar os leitores de *seres humanos*, as primeiras reações não foram muito boas, na melhor das hipóteses as pessoas se surpreendiam, achavam estranho ser chamadas assim, mas concordavam que eram mesmo humanos do planeta Terra. Na pior das hipóteses, as reações chegavam a ser violentas, com as pessoas me acusando de arrogante, de que Eu me colocava acima delas, ou me criticavam pelo fato de se, por acaso, pensava que Eu era de algum outro planeta, por chamá-las de *seres humanos do planeta Terra*. Na verdade, nenhuma das duas hipóteses acertava no que tinha me levado a endereçar-me aos leitores como *seres humanos*. A coisa foi muito, mas muito mais simples: me vendo na obrigação de escrever textos para leitores de ambos os sexos, tive de encontrar o que haveria em comum para, assim, não errar por me dirigir às mulheres exclusivamente, ou aos homens exclusivamente, nem aos hermafroditas exclusivamente. O que tinham em comum, leitores, escritor e o próprio ato da escrita e da leitura é que tudo acontecia, e continua acontecendo no âmbito de nossa humanidade.

Mais de 20 anos depois, o consciente coletivo humano, e prestem atenção que chamo de *consciente coletivo* e não *inconsciente*. Pois bem, o consciente coletivo já aceita o epíteto de humano, pois as circunstâncias, nossa capacidade de compreensão e o estágio evolutivo que conquistamos nos colocaram perante o panorama abrangente de nossa posição no planeta, e no universo também. Por isso, me parece que, mais do que nunca, é imperioso que tratemos de compreender devidamente o que é, afinal, ser humano.

Seres humanos da Terra, quando Eu chamo vocês assim, ou me olho no espelho e digo a mim mesmo, humano, certamente nossas mentes acusam recibo, sabemos e aceitamos que somos seres humanos.
Entretanto, sabemos o que isto significa? O que é ser humano?
Pois é, toda essa onda de auto-conhecimento tão difundida e explorada nas últimas décadas, e da qual com certeza todos aqui presentes, sem exceção, participamos, nos levou por acaso a fazer esta pergunta básica, o que significa ser um humano? Me parece que nessa onda de autoconhecimento gastamos a maior parte do tempo tentando conhecer apenas nossas peculiaridades e particularidades, o que não é de jeito algum errado, é muito importante conhecer o lugar que ocupamos individualmente no universo, porém, se estamos buscando tanto isso, em algum momento nos depararemos com o que é comum a todas as individualidades humanas, isto é, o próprio fato de sermos todos humanos, humanos do planeta Terra.
Sim, nossas peculiaridades são importantes, mas o que é maior em nós não são as questões individuais, e sim as que nos associam à espécie da qual pertencemos, a humana.

Então, seres humanos da Terra, o que é ser humano? Vamos pensar juntos, e anotar os pensamentos, sabendo de antemão que tudo o que encontraremos serão pistas, e que não será nesta palestra que resolveremos o que, por enquanto, continua sendo mistério, algo desconhecido, incentivando-nos por isso mesmo, e em nome do conhecimento, que deixemos de temer o desconhecido, e que, pelo contrário, aceitemos que o desconhecido nos desafia a encará-lo como a dimensão da qual surgem todas as conquistas que ainda não fizemos.

Vamos às pistas: Ser humano é uma criatura viva, disto não resta dúvida alguma, pois ainda que continuemos desconhecendo o que seja a vida, mesmo assim sabemos que vivemos, e de saber que vivemos resultam duas constatações importantes: a primeira é a de que dá para viver mesmo sem saber o que seja a vida, e a segunda é, talvez, a que mais nos interessa, pois somos capazes de perceber que vivemos, de refletir sobre a vida, de sermos conscientes da vida, e..... com a consciência acontece o mesmo que com a vida, não sabemos o que seja consciência, mas isso não impede que sejamos conscientes, e mais ainda, que sejamos autoconscientes, conscientes de nós mesmos, de nossa individualidade.

Esta consciência, a autoconsciência é o que chamamos de alma. A isso que chamamos de alma poderíamos lhe dar um nome mais sofisticado e técnico, alma poderia ser chamado de *Unidade pensante autoconsciente*. E olha, aqui vale a pena dar uma pausa para uma respiração mais profunda e relaxante, pois é natural que quando tentamos explicar o que seja maior do que nossa compreensão os pensamentos se embananem e a mente fique confusa durante alguns instantes. Para ilustrar este momento, isto acontece também quando tentamos nos orientar pelas estrelas, e não pelos objetos terrestres, na passagem de um sistema de localização para o outro, e mente passa por um momento de perturbação, até acomodar-se às novas informações.

Pois é, aquilo que misteriosamente chamamos de alma é o que nos torna humanos, eminentemente humanos, demasiadamente humanos, pois no exercício pensante e autoconsciente e unificado, conseguimos ver o que a natureza não produz em árvores nem a terra dá através de sementes, nosso olhar é abstrato, subjetivo, e causa profunda admiração e assombro o fato de esta subjetividade, que é nossa riqueza humana seja também, hoje em dia, menosprezada na cultura ocidental, que prefere a objetividade. Contudo, o olhar abstrato e subjetivo que resulta de sermos almas é o que nos faz idear que sejamos conscientes filhos de Deus, feitos à imagem e semelhança, que ocupamos um corpo animal. Afinal, Deus é o mais alto grau de abstração que conseguimos idear, a abstração mais abrangente, o infinito, a imortalidade e por aí vai a lista de elevações. E nós, por aqui, humanos, existimos nessa dualidade, conscientes da infinitude, mas também da limitação densa e concreta de nossos corpos físicos.

Esta dualidade é de radical importância na arquitetura de nossa humanidade, vemos o que não existe objetivamente do ponto de vista de quem ocupa um espaço absolutamente objetivo, o do nosso corpo físico animal. Isso leva a pensar que ser humano constitua um elo, uma ponte entre mundos, uma intersecção entre a dimensão objetiva, de contornos definidos, e a dimensão abstrata, de limites infinitos, se é que algo assim poderia dizer-se. Ser humano é ser esse elo, e parece tolice buscar o elo perdido que nos una aos macacos, é muito mais importante reencontrar em nós mesmos o elo que somos, pois sem cumprir essa função de ligar os mundos objetivo e subjetivo, nós mesmos seremos o elo que está perdido.

Nessa dualidade da objetividade e da subjetividade unificamos e sintetizamos em nós mesmos o resultado do processo evolutivo tal como foi levado à cabo durante épocas passadas, e por causa desta síntese conseguimos pôr em marcha um novo fator, que é o aspecto individual do conhecimento, do mundo e de nós mesmos. Não por nada damos tanto ênfase ao aspecto individual, pois este é realmente novo e único entre as espécies que ocupam espaço físico entre o céu e a terra.

A presença deste fator e aspecto, unificado e individual, diferencia o humano do animal, não com o ordinário objetivo de nos declararmos superiores, mas para atender a responsabilidade que resulta desta percepção. Este aspecto individualizado nos coloca na posição de administrar o que tanto nos atormenta, as dualidades, contradições e paradoxos, porém, também conecta nossa alma com o mundo abstrato, que é infinito, e não por nada somos tomados pela inefável consciência da imortalidade, e por toda sorte de idéias que não se podem comprovar imediatamente com os sentidos físicos, resultando na incômoda sensação de estarmos presos, capazes de ir até o infinito, mas agrilhoados na mais densa das percepções.

É por isso que este poder inato, da abstração e da subjetividade, que é a coluna vertebral do que é ser humano, também é o que proporciona a nossa humanidade a capacidade de sofrer, sofrimento de um tipo que nenhum animal experimenta, pois é o sofrimento silencioso, aquele que ocorre sem que nenhum acontecimento físico e objetivo o produza. Sofrer, seres humanos da Terra, parece inevitável, um destino infalível, pois quanto mais embarcamos na viagem do conhecimento, seja este geral, o do autoconhecimento, de todos os conhecimentos enfim, mais também percebemos nossas limitações, e vai tentar dormir com um barulho desses!

Pois é, sofremos, e até competimos entre nós para ver quem sofre melhor, de forma mais dramática, quando na verdade o que acena entre sofrimento e sofrimento é a peculiar propriedade humana que confere o poder de perceber os ideais, de registrar a beleza e de se admirar com ela, a capacidade de reagir voluptuosamente à música e desfrutar cores e harmonia. Este algo divino que é navegar no mundo abstrato faz de toda nossa espécie humana um filho pródigo, que reconhece ser ilimitado, provindo de uma dimensão infinita, mas seduzido pela vida mundana, pelas posses e pelo poder que, mesmo em suas máximas glórias nem consegue se aproximar da glória original, e que por isso nos afasta do lar de que somos originados, mas que, também, estipula o infalível destino de todos, dia mais, dia menos, retornar ao lar original, enriquecidos pelas experiências mundanas.

Nós, humanos, nos encontramos à meio caminho entre o céu e a terra, com os pés afundados na lama da vida material e com a cabeça no céu. Na maioria dos casos fechamos os olhos e não queremos nem ver a beleza celestial, ou os abrimos, mas os fixamos na lama que cobre nossos pés. Porém, quando abrimos os olhos e os elevamos, sequer por uma instante breve, vemos claramente o mundo da realidade e valores espirituais, começando então a turbulenta e difícil existência das aspirações e realizações espirituais.

Sim seres humanos, sofremos e não gostamos de sofrer, mas ao mesmo tempo é no sofrimento que reside nossa virtude, desta se alimenta, pois avisa que somos capazes de entender um mundo de maior abrangência e poder, e que, ao mesmo tempo, porque compreendemos as limitações desta vida terrena, sofremos, sofremos e sofremos. Porém, o principal sofrimento não deriva das limitações, mas de darmos as costas ao infinito tesouro que sabemos possuir enterrado no centro de nossos corações.

Nossa humanidade é custódia de um mistério oculto, e a dificuldade consiste em que o que nós, humanos, ocultamos ao mundo, ocultamos também a nós mesmos. Por isso, tentamos ignorar a maravilha daquilo que contemos em nós mesmos, aquilo que nutrimos em silêncio, mas o destino, infalível como é, nos apresenta todas as oportunidades para encarar aquilo que não se pode evitar, pois é a própria vida, nossa própria natureza, nosso lugar cósmico.

Nossa humanidade é a caixa do tesouro de Deus, sendo este o grande segredo maçônico, porque somente no reino humano, como vêm assinalando há muito tempo os esotéricos, se encontram juntas e em pleno florescimento as três qualidades divinas.
No ser humano, Deus Pai ocultou o segredo da vida; no ser humano, Deus Filho ocultou os tesouros da sabedoria e do amor; no ser humano, Deus Espírito Santo, como princípio feminino universal, implantou o mistério da manifestação.
A humanidade é potencialmente capaz de revelar a natureza da Divindade e da Vida Eterna. Porém, ao contrário de Deus, em nossa humanidade a beleza está exposta, e a verdade oculta. É o contrário do Altíssimo, em quem a verdade está exposta e sua beleza oculta.
A nós, humanos, foi outorgado o privilégio de revelar a natureza da consciência divina, e apresentar ante todas as outras espécies o que permanece oculto na Mente do Altíssimo, a beleza do universo.
Nós humanos, devemos nos transfigurar em verdadeiros filhos do Altíssimo, não mais na teoria ou como um ideal futuro, mas através de obras concretas, de experiências cotidianas. Nós humanos, somos responsáveis pela conquista da mente de Cristo, mente que deve morar em nós e revelar-se na espécie humana a cada dia com maior plenitude. Ao ser humano foi confiada a tarefa de elevar a matéria ao céu e de glorificar corretamente a vida da matéria mediante a manifestação consciente dos poderes divinos.

Olhem, explicar adequadamente o maravilhoso destino do reino humano está além do meu poder ou da capacidade de qualquer escritor ou palestrante, pois, independente da importância das realizações de qualquer indivíduo ou da capacidade que se desenvolva para responder intelectualmente à beleza do mundo de Deus, a divindade precisa ser vivida experimentalmente e manifesta em obras para poder ser compreendida. Deus tem de ser amado, conhecido e revelado dentro do coração e cérebro humanos, de modo que o intelecto o capte em sua completa verdade.

A Hierarquia dos místicos e daqueles que conhecem a amam a Deus, expressam desde sempre esta verdade, traduzindo-a em literatura, arte e ciência. Sempre houve indivíduos iluminados em todas as raças e religiões a funcionar como verdadeiros pioneiros da revelação, porém, chegou o momento em que a manifestação desta realidade pode, pela primeira e verdadeira vez, expressar-se no plano físico de forma grupal e organizada, em vez disso acontecer através de uns quantos inspirados filhos de Deus, que em épocas passadas encarnaram como garantia de futuras possibilidades.

A Hierarquia de Anjos e Santos, de Mestres, Rishis e Iniciados, agora pode começar a se organizar de forma material na Terra, porque hoje em dia a idéia grupal está ganhando terreno rapidamente, e a natureza da humanidade está sendo melhor compreendida. Esta é a glória da futura Era de Aquário, da próxima revelação do ciclo evolutivo, assim como a tarefa que todos nós temos nas mãos, e pela qual somos responsáveis.

E saibam, seres humanos da Terra, que o drama real desta tripla relação com a vida, própria de nossa humanidade, pois carregamos em nossos corações o segredo da vida, que é Deus Pai, o tesouro da sabedoria e do amor, que é Deus Filho, assim como também o mistério da manifestação, que é Deus Mãe, Espírito Santo, é o que todos experimentamos atualmente em graus de complexidade crescentes.
Aquilo que simbolicamente se denomina “o nascimento de Cristo”, ou seu segundo nascimento, está tendo lugar nas muitas vidas, há algumas gerações, mas principalmente nas atuais, pois anda nascendo na Terra um numeroso grupo de seres espirituais, configurado por todos aqueles humanos que uniram conscientemente e dentro de si mesmos a dualidade, alma e corpo, consumando assim o “matrimônio místico”.
Há, na atualidade, todo um complexo conjunto de acontecimentos e dramas individuais que, aos poucos, porém inexoravelmente, produzirá uma análoga atividade grupal, e todos nós testemunharemos o surgimento “do corpo manifesto de Cristo” no plano físico, assim como também o aparecimento físico da Hierarquia sob cujo comando se encontra o governo de nosso planeta Terra. Sim, os deuses tornarão a andar entre nós, e isto tudo está acontecendo agora mesmo, e tudo quanto vemos no mundo e ao nosso redor representa as dores do parto que precedem ao glorioso nascimento.

Estamos, hoje em dia, no processo desta culminância. Daí a dificuldade e sofrimento evidentes na vida de todos os discípulos e pessoas espiritualizadas, os quais, tendo incorporado em si mesmos os dois aspectos pai-mãe, espírito-matéria, e tendo nutrido o Cristo durante o período de gestação, começam agora a dar à luz ao Cristo bebé no estábulo e presépio do mundo.

Na total consumação desta realização que o grupo humano conseguirá realizar aqui na Terra, lembrando que no céu isto já aconteceu, Cristo aparecerá novamente na Terra, encarnando desta vez nos muitos, e não numa única personalidade. Cada pessoa do grupo humano é um Cristo em manifestação, todos juntos apresentamos o Cristo ao mundo e constituímos um canal para a força e vida crísticas.

Realmente, vamos evoluindo de glória em glória. A passada glória da individualização precisa desaparecer na glória da iniciação. A glória da autoconsciência que surgiu lentamente precisa se perder de vista ante a maravilha da consciência grupal da espécie humana, e hoje em dia os pensadores e trabalhadores que se destacam desejam ardentemente por este auspicioso acontecimento. A glória que brilha tênue, assim como também a imperceptível luz que pisca na forma humana devem ser substituídas pela radiação da glória do evoluído filho de Deus, que não são indivíduos aqui e acolá, mas toda a espécie humana unificada, demonstrando em conjunto a glória do Altíssimo.

Para que isto seja uma obra consumada, apenas se exige um pequeno esforço, que capacitará àqueles humanos que assim se esforçam no plano físico a evidenciar a luz radiante, estabelecendo na Terra uma grande usina de luz que iluminará todo o pensar humano. No transcurso de todas as épocas sempre houve isolados portadores da luz, mas nós já começamos a ter entre nós o grupo portador de luz. Então, o resto da família humana (que ainda não responde ao impulso crístico) progredirá com maior facilidade na direção do caminho que conduz de volta ao lar.

Ainda o trabalho é lento, resta muito por fazer, mas se todos os aspirantes e discípulos que trabalham no mundo subordinarem seus interesses pessoais à tarefa que suas intuições informaram, teremos o que graficamente poderia ser descrito como a inauguração de uma grande estação de luz na Terra, e a fundação de uma grande usina de poder que acelerará enormemente a evolução e elevação da humanidade.

Naquela onda de autoconhecimento de que todos participamos, nos ocupamos muito em traduzir nossa missão individual, seja pela leitura dos signos astrológicos, do raio celestial a que pertencemos ou por outros oráculos disponíveis. Essa nossa busca precisa dar lugar a algo novo e muito mais auspicioso que é o reconhecimento da participação grupal e do nascimento crístico nos muitos, e não em personalidades específicas.

Nossa maior responsabilidade, agora, é estabelecermos relacionamentos corretos entre nós, esta é a tarefa mais urgente, independente de que signo sejamos, quem tenhamos sido noutras encarnações ou a que Deus prestamos culto nesta existência. Cristo está nascendo nos muitos, e não em ninguém especificamente, e este esquema é absolutamente novo, trazendo consigo uma responsabilidade de tamanho nunca visto, e também uma glória inefável, pois logo logo não haverá mais véu separando o mundo visível do mundo invisível. E quando o véu entre o mundo visível e o invisível não mais exista, teremos de viver de forma transparente, como águas-vivas, e assim, celebremos!!! a mentira não terá mais lugar no seio de nossa humanidade.


Discurso de posse do Acadêmico Oscar Quiroga na cadeira de número 41, Academia de Letras do Distrito Federal, no dia 5 de junho de 2007 às 20h.

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